Queremos projetos e trabalhos realizados. Sua posição ou opção política pertence exclusivamente a vocês. Só a vocês.

Quando elegemos um vereador, deputado ou um presidente da República, é porque acreditamos que eles irão defender os nossos interesses e trazer melhorias para a sociedade.

Mas quando esses representantes deixam de atender nossas demandas e passam a atender tão somente aos seus próprios interesses ou aos de outros? Ora, e se aqueles que votamos não estão lá para nos representar, a quem devemos recorrer?

Essas são algumas das perguntas que muitos eleitores têm feito a alguns parlamentares do Estado do Amazonas. Em pleno século 21 e com o advento das redes sociais, fazer política deveria ser algo fácil – pelo menos em tese.

Com uma profusão de ferramentas de comunicação disponíveis gratuitamente, como Facebook, Instagram, WhatsApp, Telegram, entre outros, o diálogo entre eleitor e eleito deveria ser direto e sem ruídos. Através dessas mídias, o parlamentar poderia não só prestar contas à sociedade sobre seus trabalhos realizados, como também propor ou dialogar sobre diversas sugestões, como criação de leis, dentre outros projetos ou demandas.

No entanto, para alguns, o uso desses canais de comunicação tem sido feito apenas como palanque direto de outros “políticos de estimação”, como presidente, governador ou prefeito. Para ganhar votos e a simpatia do público, o que vale mesmo é surfar na onda dos outros.

Mas as redes não são pessoais? Não posso fazer o que bem entender delas? Sim, esse pobre escritor entende que sim. Porém, caro político, a partir do momento que você cria um perfil público nas redes sociais, você deveria usá-lo como canal de comunicação com seu eleitor, tendo ele votado em você ou não.

Como amostra, separei três parlamentares conhecidos para compararmos, tomando como base apenas dados do Instagram.

Vereador, Francisco Carpegiane Veras de Andrade (Republicanos), ou simplesmente Capitão Carpê, como é mais conhecido, foi eleito em 2020, com 8.538 votos no pleito eleitoral. Em três dias, de 17/7 a 19/7, realizou 13 postagens, das quais apenas uma apresentava um projeto de lei de sua autoria.

Já lá pelas bandas de Brasília (DF), o deputado federal Alberto Neto, em um período de dois dias, 18/7 e 19/7, realizou 10 postagens no Instagram, e em apenas uma delas fala sobre um projeto de lei em Defesa da Mulher.

Por último, de 9 postagens do deputado estadual Péricles Rodrigues (PSL) feitas entre os dias 11/7 a 16/7, apenas uma trata sobre projetos apresentados ou trabalhos realizados no legislativo.

Por outro lado, no Facebook, o Delegado Péricles, como também é conhecido, fez essa publicação: ”Sábado é dia de unir forças por um Brasil melhor. Em apoio ao nosso presidente Jair Bolsonaro, estamos na motociata, a partir das 7h30, prontos pra reforçar nossa luta pelo bem da nossa população”, escreveu o deputado em uma postagem do último dia 13/07, se referindo à passeata que aconteceu no último sábado, 17/07.

Se o parlamentar se preocupasse mais em fiscalizar o governo, em vez de ficar “puxando brasa para a sardinha” presidencial, nosso Estado não estaria envolvido nessa Comissão Parlamentar de Inquéritos (CPI) vergonhosa da Saúde.

Vale ressaltar que ele não é o único a fazer palanque político ou a expor seu apoio ao presidente. Capitão Carpê, Alberto Neto e até mesmo aqueles que não foram eleitos, como Coronel Menezes, fazem da presidência uma bandeira pessoal.

Como protesto, grito aos eleitos: queremos projetos e trabalhos realizados. Sua posição ou opção política pertence exclusivamente a vocês. Só a vocês.

Mas será que é realmente uma bandeira? Será que esses três, todos em seu primeiro mandato, não estão apenas se aproveitando da fama do “mito” para surfar e tentar ganhar uma marolinha com os seguidores de lá?

O vereador Carpê, durante sessão plenária no dia 29/03, na Câmara Municipal de Manaus (CMM), sugeriu que pessoas que fossem flagradas em festas clandestinas deveriam ser vacinadas por último.

”Diversão em meio ao luto da pandemia. Jovens cometendo crime contra a saúde pública. Milhares de trabalhadores informais estão respeitando as restrições há mais de ano, sendo prejudicados por pessoas irresponsáveis”, afirmou.

“A Polícia Militar não tem estrutura suficiente para fiscalizar esses locais, porque precisa atender outras ocorrências na cidade. Combater festas clandestinas é mais difícil que combater o vírus”, completou Carpê.

O vereador que faz a sugestão para evitar aglomerações é o mesmo que promove uma passeata, onde centenas de pessoas se reúnem e, por mais que cada um esteja em suas respectivas motocicletas, ainda assim há o risco de contaminação, pois o vírus se propaga principalmente pelo ar. Se não bastassem as aglomerações, as pessoas ainda descumprem as medidas sanitárias exigidas e não fazem uso de máscaras, ou as usam incorretamente.

Em teoria, quando um político assume um cargo público, é para defender os interesses do povo e de nenhuma forma se envolver em corrupção. Isso na teoria, pois, na prática, a realidade é outra. Abraham Lincoln, um dos grandes presidentes que os Estados Unidos já tiveram, reafirma isso quando diz que “se quiser pôr à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”.

Poder esse que está nas mãos dos políticos que foram eleitos para criar leis e fiscalizar se quem está no cargo está lutando pelos interesses do povo, e não fazendo palanque político para o Presidente da República ou qualquer um que seja. Eu só quero ver trabalho.

Por Gabriel Souza

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal Última Hora