Compartilhe

MANAUS| No cenário conflituoso entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e os demais poderes democráticos, o movimento conservador de Manaus divide-se nas manifestações de apoio ao chefe do executivo. O novo atrito ocorre às vésperas do 7 de setembro, data escolhida para realização dos eventos de direita pelo país. Na capital amazonense, duas passeatas ocorrem simultaneamente, às 15h, na Ponta Negra e Centro. 

Organizada pelo ex-candidato a prefeito de Manaus, Coronel Menezes, e líderes da direita, como Sérgio Kruke, a manifestação que acontecerá na Praça do Congresso, localizada no Centro, reivindicará principalmente a “liberdade” que, segundo os apoiadores do presidente, está em perigo devido às ações recentes do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para Menezes, os eventos na capital deveriam ‘conversar’, porém os responsáveis pelo ato na Ponta Negra não se dispuseram ao diálogo. 

Não sei exatamente de quem partiu a decisão para que os eventos não se unissem. Certamente de alguém que não tem luz e deseja aparecer. A ideia principal era juntar os dois eventos, para mostrarmos o maior apoio possível ao presidente. A nossa liberdade está em xeque, temos que fazer algo” , disse, afirmando que sua proposta sempre foi de unir as manifestações

A postura de separação dos conservadores em Manaus pode dar indícios de clara divisão de votos nas eleições de 2022. Segundo Sérgio Kruke, líder do Movimento Conservador Amazonas, os participantes do ato realizado na Ponta Negra usarão a data simbólica como mero ‘trampolim’ político visando o pleito futuro. 

“Somos totalmente independentes da outra manifestação. Nós descobrimos que os políticos aqui de Manaus querem usar o ato para palanque. Quem está se mobilizando para esse evento da Ponta Negra é o deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos), Capitão Carpê (Republicanos), Chico Preto (sem partido) e outros. Eles não estão com intuito de fazer o melhor para o Brasil, e sim para o lado pessoal político. As pessoas que vão para a Ponta Negra verão um palanque político armado para fortalecer o nome desses políticos que estão indo para lá. Conosco, eles não tem espaço”, afirmou. 

O organizador reitera que, além de Coronel Menezes, nenhum político subirá no trio da manifestação e que o Movimento Conservador Amazonas não está ligado a partidos ou candidatos amazonenses ao pleito de 2022. Além disso, explica que não existe divisão em algo que ainda está sendo “construído”. 

O que acontece hoje é que o Movimento Conservador do Amazonas não se envolve com políticos no Estado. Nós temos uma parceria com o Coronel Menezes, porque ele foi escolhido pelo presidente como seu representante oficial aqui. Então, você não vê nenhum político em cima do trio em nossos eventos porque é algo feito para o povo. O conservadorismo não está dividido porque ele está em construção. Quando você está construindo algo, tem coisas que você usa e outras não” Completou

EVENTO NA PONTA NEGRA

Nesta terça-feira (24), Coronel Menezes chegou a publicar, por meio das redes sociais, uma suposta folha de despacho do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) que desautorizava a liberação do das vias do bairro Ponta Negra para o ato em apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Na legenda, Menezes pontuou: 

“Para aqueles que estavam colocando em dúvida que a mudança do local do evento do dia 7 de setembro seria por conta da minha vontade pessoal, aí está o documento com a negativa do IMPLURB para liberação da Ponta Negra. Nós faremos a manifestação na Praça do Congresso, e todos estão convidados a participar deste evento que será em defesa da liberdade”, disse.

  A informação, no entanto, foi rechaçada pelo empresário e político Romero Reis, que participa ativamente da organização das manifestações na zona Oeste de Manaus. Por meio da assessoria, o político, que também se candidatou à prefeitura de Manaus em 2020, alegou que o documento disponibilizado por Menezes diz respeito a uma motociata, que seria realizada em agosto.  

“O evento vai ocorrer sim, o Implurb já autorizou. O próprio Romero Reis esteve em reunião com a diretoria do órgão e está tudo nos conformes. A documentação postada nas redes sociais do Coronel Menezes faz referência a outra manifestação, uma motociata que ocorreria em outra época”, apontou.

Apesar da tensão, Reis também afirmou nas redes sociais que”não há motivos para separação ou divisão”.


Compartilhe