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A data foi marcada pela alta de três pacientes que venceram o câncer e tocaram o sino da cura. Na ocasião, os especialistas do Hemoam reforçaram sobre os tipos de câncer infantojuvenil, sinais e tratamento da doença.

“Um simples hemograma pode revelar sinais de uma leucemia”. Esse é o alerta da médica hematologista pediatra, Socorro Sampaio, durante a abertura da programação do Setembro Dourado, realizada nesta quarta-feira (1º/09), pela Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam).


A data foi marcada pela alta de três pacientes que venceram o câncer e tocaram o sino da cura. Na ocasião, os especialistas do Hemoam reforçaram sobre os tipos de câncer infantojuvenil, sinais e tratamento da doença.


Setembro recebe o tom dourado para conscientizar sobre o câncer em crianças e adolescentes. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca) as leucemias e os linfomas são os tipos de cânceres mais frequentes na faixa etária de 0 a 18 anos. No Amazonas, o Hemoam é responsável pelo diagnóstico e tratamento de pelo menos 50% dos casos de câncer infantojuvenil atendidos pela rede pública de saúde.


“Um simples hemograma já norteia o médico para o diagnóstico da leucemia. Os pais ou tutores da criança devem se atentar para o aparecimento de manchas roxas, parecidas com hematomas, febre constante, sangramentos, dores ósseas, caroços e inchaços visíveis na região do abdômen e pescoço, perda de peso, sonolência e vômito”, pontuou a médica hematologista pediatra e diretora-presidente do Hemoam, Socorro Sampaio.


De acordo com a especialista, essa é a forma mais eficiente de evitar o agravamento da doença. “Ainda não há estudos conclusivos que definem as causas da leucemia e dos linfomas em crianças e adolescentes. No entanto, a identificação da doença ainda na fase inicial pode elevar a cura em até 80%”, alertou. “A atenção com a saúde deve ser redobrada quando se tem a ocorrência de câncer na família”, acrescentou Sampaio.


Miriam Gabriela, 13 anos, foi uma das pacientes a receber alta do tratamento contra a Leucemia Linfoide Aguda (LLA). Após quase três anos de tratamento com quimioterapia, ela não tem mais sinais da doença. “Tudo começou quando eu comecei a sentir muita fraqueza, de não aguentar ficar de pé. Quando eu fiz o primeiro exame de sangue o médico acreditou que haviam errado e recomendou que refizessem novamente. Quando saiu o resultado pela segunda vez, ele confirmou a suspeita de leucemia e me encaminhou para Manaus, para o Hemoam”, relatou a adolescente. Na época do diagnóstico ela tinha 9 anos. Miriam é do município de Maués.


Quem também comemorou a cura do câncer foi a Ana Clara, 22. Ela é do município de Carauari e mora em Manaus desde 2008, ano em que foi diagnosticada com leucemia. O diagnóstico precoce e o início do tratamento imediato foram cruciais para a vitória contra a doença. “Estou muito feliz e grata a Deus e a todos que contribuíram para essa cura”, disse a jovem. Ela relatou que os primeiros sinais da doença foram dores nas costas, fraqueza, sonolência e manchas roxas pelo corpo.


O pequeno José Vicente Lisboa da Silva, 5, foi o terceiro a balançar o sino da cura. O diagnóstico dele foi rápido e após três anos de tratamento a Leucemia Linfoide Aguda (LLA) desapareceu.


Dados – Desde o início deste ano a Fundação já registrou 46 novos casos de câncer entre o público de 0 a 18 anos. Dos quais 76% correspondem às leucemias (câncer que atinge a medula óssea) e 24% aos linfomas (câncer do sistema linfático). A instituição atende pelo menos 50% dos casos de câncer nessa faixa etária, em nível estadual. Os números atuais representam um aumento de 24% em relação ao mesmo período de 2020.


Quimioterapia e Transplante – O tratamento das leucemias e dos linfomas é realizado principalmente com quimioterapia. A administração dos quimioterápicos é a prioridade e apresentam maior taxa de cura na maioria dos casos, de acordo com Socorro Sampaio. As chances de cura com a quimioterapia variam de 50% a 80%, dependendo do caso.


“O transplante de medula é indicado como alternativa quando o organismo do paciente não responde positivamente à quimioterapia. As chances de cura com o transplante de medula óssea chegam a 60%”, informou a hematologista pediatra.


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