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BRASIL| Com o tema: “Sentes compaixão?”, e o lema: “Sempre tereis pobres entre vós”, extraído do evangelho de São Marcos, capitulo14, versículo 7; a Conferencia Nacional dos Bispos no Brasil (CNBB) , lançou na manhã desta terça-feira (14), a quinta edição da ‘Jornada Mundial dos Pobres’- (JMP); um convite a não ter indiferença frente ao sofrimento das pessoas em situação de vulnerabilidade e à crescente pobreza socioeconômica que assola mais 51,9 milhões de brasileiros e brasileiras.

O representante do Movimento Nacional da População de Rua, Samuel Rodrigues, disse que para ser solidário com os pobres é necessário ouvir, de fato, quais são as suas demandas e necessidades e estar disposto a caminhar com eles.

“Muitas vezes quando doamos algo o fazemos por nós mesmos, para ganhar pontos com Deus tendo em vista a nossa própria salvação. Muitas vezes se doa uma marmita, quando o que mais precisam é de um cobertor”, avaliou.

O bispo-auxiliar do Rio de Janeiro e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, enalteceu, na abertura, a participação online de pessoas que são a expressão da solidariedade e do compromisso com os vulneráveis da terra.

Segundo dom Joel, as Jornadas Mundiais dos Pobres, já na sua quinta edição, fazem parte de uma pedagogia do Papa Francisco. “O Papa não propõe um caminho, mas aponta processos que vão amadurecendo com o tempo e nos convida para que o Evangelho seja melhor vivido. Na medida que o Espírito Santo age, vamos aprendendo”, disse.

O secretário-geral da CNBB, ao fazer referência à celebração da Exaltação da Cruz, reforçou ser importante que cada diocese e Igreja particular, cada pastoral, organismo, comunidade e grupo da Igreja no Brasil procure organizar e viver em sua localidade a Jornada Mundial dos Pobres.

A realidade brasileira

Nas enormes filas para entrega da marmita ou da cesta básica, é frequente ver idosos, adultos, jovens, mulheres, crianças e, não raro, famílias inteiras. São pessoas tristes e abatidas: ombros encurvados, joelhos vergados e olhos no chão. Têm energia e braços fortes para o trabalho, mas o novo coronavírus e a economia globalizada os excluiu de qualquer oportunidade. A vergonha as impede de nos encarar de frente.

A verdade é que o pão que vem da caridade pública (para não dizer da “esmola”) costuma ser regado com as lágrimas da vergonha. Somente o alimento que é fruto do suor do trabalho e do emprego estável confere dignidade à pessoa humana.

De algumas décadas até os dias de hoje, porém, os rostos da pobreza e da violência se tornaram praticamente invisíveis, os nomes desconhecidos, as histórias ignoradas e as famílias desmanteladas. O quadro da pandemia e do
desemprego escancarou e agravou ainda mais a desigualdade socioeconômica.

O pequeno grupo de 1% da população, no mundo e pior ainda no Brasil, detém ao redor de 50% da riqueza produzida. A chamada emergência sanitária acabou por dar maior visibilidade a uma população que habitava os porões e periferias da sociedade. Não poucos brasileiros, por exemplo, descobriram um Brasil que não conheciam.

foto/divulgação: CNBB

O Cartaz-

O lema da JMP – “sempre tereis pobres entre vós” – nos remete ao relato do evangelista Marcos. Este retrata a estupefação dos discípulos diante da empatia de Jesus pela mulher que toma um vaso de perfume e derrama sobre a cabeça do Mestre. Se é certo que os pobres devem ser socorridos através da solidariedade, Jesus alerta para o fato de que Ele mesmo é a Boa Nova que os resgata da condição de opressão e miséria. Ou seja, é preciso assegurar não tanto o socorro imediato e emergencial a quem se encontra na necessidade, mas sobretudo, garantir verdadeiras políticas públicas estruturais no sentido de combater a concentração de renda, a exclusão social e a pobreza.

A V Jornada Mundial dos Pobres será marcada, por uma série de ações pelas Igrejas Católicas no mundo inteiro, que serão iniciadas em 14 de setembro e serão encerradas no dia 14 de novembro de 2021.


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