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BRASIL| Sérgio Mamberti, morreu hoje aos 82 anos, em decorrência de falência múltipla dos órgãos; em julho deste ano, o “Dr. Victor”, personagem pelo qual ficou nacionalmente conhecido na série Castelo Rá-Tim-Bum, foi internado no Hospital Prevent Senior, para tratar de uma pneumonia. O Ator chegou a passar por uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), recebendo alta após 15 dias.

Mamberti dedicou-se por mais de 60 anos à arte e à cultura brasileira por meio de diversas atividades: foi ator, diretor, produtor, autor, artista plástico e ocupou vários cargos políticos no Ministério da Cultura.

O artista nasceu em 22 de abril de 1939, na cidade de Santos, litoral de São Paulo. Em 1964, casou-se com Vivian Mahr, com quem teve três filhos: o também ator Duda, o diretor Fabrício e Carlos. A esposa morreu em 1980. Depois disso, Mamberti teve um companheiro com quem viveu um relacionamento por quase quatro décadas, Ednaldo Torquato, que morreu em 2019.

As relações amorosas de Mamberti foram contadas pelo ator na biografia “Senhor do Meu Tempo”, publicada recentemente. A dor pela morte de Vivian foi grande, mas veio acompanhada por um sentimento de alívio, como o artista relata no livro- “Os dois últimos anos haviam me afetado profundamente, como também foram marcantes na vida dos meninos. Afinal, não é fácil ver a mãe tão doente, definhando a cada dia”.

Vivian enfrentou 18 internações e morreu, aos 37 anos, no início de 1980 de insuficiência cardíaca. Com ela, os dois tiveram os filhos Eduardo, Carlos e Fabrício.

Em viagem com uma peça de teatro, o eterno tio Victor do “Castelo Rá-Tim-Bum” conheceu Ednardo Torquato, ou simplesmente Ed — como ele o chamava carinhosamente. Eles foram morar juntos em 1985 e tiveram 37 anos de união.

Em 2019, um novo baque em sua vida: a morte de Ed. Na biografia, Mamberti narra a dificuldade que se viu diante de uma nova perda e como precisou de coragem.

Ed teve a síndrome de Wernicke-Korsakoff, caracterizada pela amnésia e forte confusão mental. Acabou tendo uma uma infecção urinária e morreu aos 62 anos. O ator e Ed adotaram uma menina, Daniele.

Teatro, cinema e TV

Mamberti se formou pela Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo (USP) em 1961 e logo iniciou sua carreira no teatro. Sua primeira peça profissional foi “Antígone América”, com texto de Carlos Henrique Escobar e direção de Antônio Abujamra.

Depois da estreia, ele se juntou ao elenco do Grupo Decisão. Com eles, encenou as peças “O Inoportuno”, “Electra” e “Navalha na Carne”. Por esta última, ganhou projeção nacional, e por “O Balcão”, venceu o Prêmio Governador do Estado de São Paulo como ator coadjuvante em 1969.

Mesmo depois de ter estreado no cinema e na televisão, não abandonou os palcos. Além de atuar, também encampou projetos de revitalização e manutenção de teatros, como o Teatro Vereda, ao lado de seu irmão Cláudio Mamberti. O artista se dedicou, ainda, à popularização de casas pequenas, como o Crowne Plaza, pequeno teatro berço de atores emergentes.

Mamberti também dirigiu peças importantes no circuito paulista. Em 2019, estreou, ao lado de Rodrigo Lombardi, a premiada “Um panorama visto da ponte”.

No cinema, estreou em 1966 com a comédia “Nudista à força”, de Victor Lima. Depois, emplacou inúmeros sucessos: “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), “Toda Nudez Será Castigada” (1973), “O Homem do Pau Brasil” (1980), “A Hora da Estrela” (1985), “A Dama do Cine Shangai” (1987). Também estrelou filmes infantis como “Xuxa Abracadabra” (2003) e “O Cavaleiro Didi e a Princesa Lili” (2006).

Foi nas séries que viveu seu personagem mais querido, o saudoso Dr. Victor do Castelo Rá-tim-bum. Também participou de produções da TV Globo, como “A diarista” e “Os normais”. Recentemente, esteve no elenco de “3%”, série brasileira produzida pela Netflix.

Mamberti também reinou nas novelas. Um de seus primeiros papéis de destaque foi como João Semana em “As Pupilas do Senhor Reitor” (1970). Depois disso, atuou também em , “Brilhante” (1981), “Anjo Mau” (1998), “O Profeta” (2007), “Flor do Caribe” (2013), “Sol Nascente” (2016), entre outras. Seu maior sucesso foi o mordomo Eugênio na clássica “Vale Tudo” (1988).

Grande articulador cultural, abrigou, em sua casa, em São Paulo, artistas vindos do Brasil e de fora que precisavam de abrigo. Entre seus hóspedes, estão os Novos Baianos, Asdrúbal Trouxe o Trombone e The Living Theatre.

Em 2021, lançou a autobiografia “Sérgio Mamberti: Senhor do meu Tempo”, escrita com o jornalista Dirceu Alves Jr. No livro, falou abertamente sobre sua bissexualidade. “Sempre fiquei com meninos e meninas com naturalidade, a sexualidade nunca foi um problema”, contou.

Carreira Politica

Mamberti era filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e teve atuação intensa durante os mandatos do ex-presidente Lula. Presidiu três secretarias no Ministério da Cultura: Música e Artes Cênicas; Identidade e Diversidade Cultural; e Políticas Culturais. Também foi presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte).

O artista sempre manteve relação próxima ao ex-presidente. Foi ele quem leu a carta escrita por Lula então preso, que anunciava seu nome como candidato oficial do Partido dos Trabalhadores na eleição presidencial de 2018.

Em setembro de 2012, Mamberti foi homenageado no Festival de Cinema de Santos e recebeu uma estrela na Calçada da Fama de um cinema da cidade. Mamberti ficou bastante emocionado com a homenagem e afirmou que isso foi um presente inestimável e especial tanto por ser na cidade natal do artista quanto por ser no cinema que frequentou desde criança.

Homenagens

Artistas do teatro, tv e até mesmo políticos lamentaram a morte do ator e manifestaram seu carinho.

Lilian Cabral, Marcelo Adnet, Tatá Vernec, Elisa Lucinda, Cassio Scapin, Fernando Haddad, Lula e Gleisi Hoffman e Alexandre Padilha se manifestaram nas redes sociais.

Sérgio Mamberti, que foi filiado ao Partidos dos Trabalhadores (PT), e ocupou diversos cargos dentro do Ministério da Cultura durante o Governo Lula, recebeu homenagem do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad.

O ex-ministro Alexandre Padilha chamou Sérgio de irmão e citou uma última conversa com ele. Na foto publicada, Padilha e o ator estão ao lado do ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica.

“Vá em paz, meu irmão Serginho Mamberti. Nunca esquecerei suas últimas palavras quando fui visitá-lo no hospital. Foi muito bom conviver, andar, sonhar e militar ao seu lado. Nós faremos o Brasil sorrir de novo, Serginho. Fique de olho! Mamberti, presente!

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva emitiu uma nota de pesar:

Sérgio Mamberti foi um dos maiores atores da história do Brasil, além de escritor e diretor, um homem de teatro completo, e um ser humano de coração e generosidade imensas, sempre disposto a ajudar e lutar pela democracia, pela cultura, pelas causas sociais, a fazer o bem ao próximo.

A sua contribuição para a cultura brasileira nos palcos, no cinema, na TV, na Funarte e no Ministério da Cultura, na construção de políticas públicas para as artes nacionais é imensa. Se o povo brasileiro o admirava pelo seu talento, quem o conhecia de perto o admirava pela sua humildade, carinho e inteligência.

Gleis Hoffmann, Deputada federal pelo Estado do Paraná e Presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), compartilhou uma imagem com o ator, ao lado de uma homenagem.

Sergio Mamberti deixa quatro filhos: Eduardo, Carlos, Fabrício e Daniele.


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